Deixaram o juízo em casa. Ou nunca o chegaram a ter

30.11.14

Imagem weheartit.


E se acham que eu estou a inventar, é triste responder-vos que não. Eu ouvi mesmo esta resposta ser dada (ontem) a um jornalista durante uma reportagem sobre portugueses emigrados no Luxemburgo. Sim, este feliz desempregado era português.



Acho que esta conversa do desemprego se resume a estatísticas e a um problema nacional enquanto temos emprego ou estudamos. Quando ficamos realmente desempregados é que isso do “desemprego” se engrandece. Óbvio que, quando a situação de desempregado se arrasta por um período mais extenso, todas as hipóteses saltam para cima da mesa e emigrar é uma delas. 

Juntar todas as roupas, guardar os talheres que entretanto deixarão de ser usados na actual habitação, proceder com as despedidas que tanto custam muito como custam pouco e fazer check-in. A sério, eu estou na fila das pessoas que compreende perfeitamente essa decisão e que respeita o desânimo de quem parte (muitas vezes com pena). O sucesso e a estabilidade são duas ambições que todos deviam ter na lista de obrigações para a vida; se os meios para atingir esse fim estão neste ou noutro país é indiferente. Desde que tentemos conseguir. 

A minha opinião sobre o assunto fica deste parágrafo para cima, mas deste parágrafo para baixo, desculpem-me, mas ficam as minhas considerações sobre o testemunho que me deixou irrequieta aqui na cadeira enquanto ouvia o senhor a justificar a sua teoria económica e fácil de aplicar na vida. 

Eu concluo que esta situação é resultado da confusa desarrumação que vai em muitas mentes. Não, não é “falta de estudos” como muita gente acrescentará quando este assunto vem à baila; não creio que seja resultado de muita ou pouca formação nem que seja resultado de uma ou duas más experiências. Eu culpo a sociedade por estas coisas porque, sejamos pensantes, (e sublinho novamente o meu sarcasmo) se fazer nada lucra, para quê levantar da cama cedo todos os dias? Para quê colaborar para o desenvolvimento de determinados locais e entidades se ficar em casa lucra? Para quê participar activamente no que quer que seja se participar em nada também lucra? É assim. Façamos silêncio por atitudes e afirmações infelizes como esta. Façamos silêncio, já que discutir não lucra mais alguns euros nas nossas contas.


Daniela Carreira Peralta

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