Jogam scrabble de forma livre

21.11.14


Imagem weheartit.



“Fos-te simpática comigo”. Foi ler isto e precisar de respirar fundo cinco vezes seguidas para conseguir ter outra reacção mais controlada. Vá lá, queridos e queridas que nasceram em terras portuguesas, não me façam estas coisas. Não só me chocam como me viram o sistema nervoso de pernas para o ar.



Já não peço que saibam distinguir umas palavras complicadas de outras ainda mais extravagantes e nem peço que deixem de chutar vírgulas por sítios onde elas não devem estar; isso é irrelevante quando trocam letras por outras letras e quando deixam que a gramática pague quase sentença de morte pelos vossos erros – literalmente. Erros.

Na escola primária confesso que sempre gostei mais dos trabalhos de bricolage que implicassem doses consideráveis de cola. Deduzo que mais de metade das crianças depositem a animação da escola noutras vertentes que não impliquem o preenchimento dos espaços em branco que os exercícios de língua portuguesa; ou que peçam uma grande composição de opinião ou até que tenham as palavras “justifique de forma cuidada” na frase introdutória. Eu percebo. E percebo porque também passei muitas horas a procrastinar, a rasgar folhas de tanto apagar ou a fazer pequeninos desenhos nas margens dos livros. Acham que não considero isso normal? É óbvio que acho normal. E se acham que isso mudou, esqueçam. Pelo menos a parte dos desenhinhos nas margens dos cadernos ficou comigo. – É. Riam-se. 

Eu deixo que se riam… desde que saibam descrever essa mesma situação com as letras todas no sítio certo. Não queremos cá jogo das escondidas. Nem C’s a correr atrás dos Ç’s para brincar às apanhadas. 

Um pequeno erro aparece de vez em quando, tenho consciência. Também a mim, vez em vez, lá calha um daqueles que me fazem rir de mim mesma ou que me deixam calada à espera que ninguém dê por isso. Acontece. É como tropeçar numa pedra ou – pior – tropeçar no próprio sapato. Não me digam que isso é parvo, senão mando vir todas as videotapes públicas. E depois vejamos! 

Mas a minha teoria vai ao encontro do bem-escrever. Talvez seja uma tentativa de combater todas as vezes em que erros como “vences-te”, “levantas-te-te” ou até mesmo “fos-te” são evocados em diálogos que não gritam por eles. 

Deixem-me só registar uma das minhas “palavras” preferidas: taparuére. 

O jornal (seja ele de que género for), o canal televisivo (fale ele de que desgraça falar), o romance (seja ele brega o suficiente ou não), todos – salvas excepções -, vão escrevendo em português. Em português de Portugal – o país onde supostamente vocês nasceram e viveram a maior parte da vossa vida até então.

Estou a reservar este último parágrafo desde que iniciei esta dissertação (viram? Sem C!) para vos pedir desculpa. Desculpem-me se deixei que o meu tom mais sarcástico do que ameno se apoderasse daquele pequeno erro que deixaram escapar ontem enquanto discutiam, empolgados, sobre algum assunto por escrito. Não era essa minha intenção. A minha intenção era dirigir-me a todos os que deixaram que o português se tornasse numa outra língua mais própria que é estrangeira para tantos quantos para quem escrevem. Talvez não (me) leiam. Ficou a tentativa.


Quanto ao resto, já sabem que tenho sugestões. Leiam o Região de Cister porque opinei esta semana sobre os Doces Conventuais e porque vos quero informados; lembrem-se de que o frio veio para ficar e apostem nos casacos giros e nos gorros pomposos.




Daniela Carreira Peralta

Também vais gostar:

4 comentários

  1. Ora poshas ou poxas? Éh... faz doer a cabeça. Apetece-me umas coxas de frango.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se isso é um convite, traz lá as coxas. :)

      Eliminar
  2. Devia haver multas para quem comete erros desses, tenho dito!
    PS - visita dois ou três artigos umComo com comentários e surta de vez, ahahah (acho que até perco as minhas competências só de os ler)

    beijinhos *
    blog eighteen and a life

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Até os comentários das notícias em sites oficiais! Às vezes é demais.

      Eliminar

Com tecnologia do Blogger.