Comunicar é gritar e bater: aguenta

22.12.14

      Imagem weheartit.



Hey, tu aí! Estás a ler? Eu quero que olhes para aqui. Sim, para esta linha que vai crescendo e crescendo. É um texto – será. “Isto” sou eu a falar-te, para que me vás conhecendo e para que sigas o meu pensamento – se não concordares, tanto melhor. Mas lê. Vai lendo. Presta atenção, direcciona todos os teus pensamentos para estas letras que estão a aparecer enquanto vou deixando cair a ponta dos dedos em cima das teclas. Estás a ler?


Eu estou aqui. É este o meu papel. Pelo menos, quando me sento em frente ao portátil, o meu objectivo principal é apenas um: chegar até ti. Quero que entres neste cantinho virtual e que conheças a cor das paredes que tenho vindo a pintar, aos poucos, assim de mansinho, para não te chocar. De mansinho, para não trazer demasiada informação (ir)relevante de uma vez só. Estou a desempenhar o meu papel: a escrever-te. 

Ainda estás aí? 

Imagino a quantidade de links a que já acedeste hoje. O Facebook logo pela manhã, o email pessoal várias vezes durante o dia, depois os sites noticiosos, umas quantas pesquisas, dezenas de outros sites e agora, finalmente em casa, o Facebook novamente. Provavelmente foi através da rede social que chegaste até aqui. Sabes porquê? Porque foi por lá que comuniquei. A ordem é mesmo esta: comunicar lá um bocadinho da informação e conduzir o leitor até ao pote fundamental da informação. Aqui o blog é o pote fundamental. Não deixei que te esquecesses de mim. Fui chamando, chamando e provavelmente fui chata por algumas vezes: “já viram? Já leram?”. É isso: não quero que te esqueças de mim. 

Como te sentes?

Na verdade, todos sentimos esta necessidade de sermos importantes para alguém. Se não for por uma vida inteira, então que seja por alguns minutos diários. O que se espera em troca muitas vezes nem são beijinhos e abraços; não é uma palmada nas costas. É atenção. Esperamos atenção, uma ou duas opiniões e lucro – independentemente da sua forma, o constante lucro. Há quase sempre algo implicado, não é? 

Se te conduzi até aqui, já fico razoavelmente satisfeita. Estás desse lado? Acende uma luz, para que te veja daqui. 

Não és transparente. 

Ainda aqui estou. Hoje estou teimosa, olha só! Já pensaste na quantidade de vezes em que és conduzido para algum local ou induzido por alguma coisa sem te aperceberes? Aquele actor muito conhecido estaria inocentemente na loja nova da cidade? E a capa do jornal de hoje, será que tinha aquela publicidade por acaso? Será? Será que o desconto oportuno do supermercado caiu do céu logo esta semana? E tu foste seguindo as pistas quase todas. Comunicaram contigo e nem deste conta. É um labirinto! Estes malandros.


Esta reflexão surgiu após assistir a uma curta-metragem interessante com uma mensagem subentendida tanto real quanto sarcástica. O final - aviso já os mais sensíveis – pode ser considerado violento. Que veja quem aguentar: http://vimeo.com/68212749. E obrigada ao Tiago pela dica. Como diriam no país irmão: valeu! 


Daniela Carreira Peralta

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4 comentários

  1. Adorei! Fantástico!! Estupidamente viciante!! Minha pequena Daniela tens o dom da palavra ;)

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    1. Só dou ao meu dom porque há pessoas porreiras que vêm aqui dizer-me coisas giras. Obrigada, obrigada e obrigada! Beijinho e abraço :)

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  2. Nomei-te para a TAG - Have a Very Bloggy Christmas, boas festas!
    http://blog-um-mundo-rosa.blogspot.pt/2014/12/tag-have-very-bloggy-christmas.html

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  3. tentei preparar-me para a violência do vídeo de que falaste mas de facto surpreendeu-me :|
    achei uma excelente metáfora para a necessidade de atenção que cada vez mais pessoas tendem a procurar e exigir, o que é lamentável pois devíamos conseguir ser felizes sem depender tanto dos outros e da forma como somos vistos... um dia (re)aprenderemos a essa lição, assim espero! :)

    beijinhos e continua :D
    blog eighteen and a life

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