À conversa com Francisco Nicholson

21.2.15





Estava no aeroporto à espera que a minha mãe saísse pela porta das chegadas. Primeiros dias de Janeiro, ainda aquele movimento de ano novo e de festas felizes. Mas a minha mãe tardava em sair e eu, no entretanto, dei um saltinho à loja para ver os livros. Não demorou muito tempo até encontrar este livro lá no expositor. Autor português, sinopse interessante e uma capa muito (mas mesmo muito) gira aos meus olhos. Minutos depois, já a senhora me estava a entregar o troco e um saco com o livro lá dentro. Foi assim que encontrei o meu primeiro livro de 2015. 

Li Os Mortos Não Dão Autógrafos num instante porque a história descreve um cenário que me agrada todos os dias: passa-se maioritariamente numa redacção. O mote é o jornalismo. Contar-vos a história não tinha piada nenhuma, portanto conversei com o autor. Esta foi uma conversa bastante casual, portanto não tenciono deixar-vos aqui um esquema de pergunta e resposta. Vou tentar que o texto que se segue abaixo seja também ele casual. Este é um blog descontraído e hoje é Sábado, dia de relaxar. 

Francisco Nicholson é o autor do livro de que vos falo. Tem 76 anos e uma vida cheia de representações e histórias. Muitos de vocês recordam-no certamente do teatro. E não se enganam! Este é o seu primeiro romance.

Nicholson iniciou carreira de actor aos 21 anos, no Teatro Gerifalto, com a peça infantil Misterioso Até Mais Não, - da sua autoria. Foi autor – e actor – de programas (Riso e Ritmo, 1964) e de novelas como Origens (1983), Os Lobos (1998) e O Olhar da Serpente (2002) e colaborou também em jornais, dentre os quais, o Jornal de Notícias e A Bola. À parte do teatro e da televisão, Francisco conta que tem “três peças de Teatro, editadas pela SPA [Sociedade Portuguesa de Autores]: Pátrias, Lixo e Catacumba”.

Foram muitas as actividades que preencheram os dias deste português que já foi distinguido pela Câmara Municipal de Lisboa com uma medalha de ouro de mérito cultural. Conta-me que vai vendo passar a vida, “vivendo-a intensamente”. “Comecei a escrever muito novo”, diz Francisco Nicholson. Considera que escrever é “viver por interpostas personagens” e parafraseia Maria da Fé quando refere que “escreverei até que a sintaxe me doa”.

Os Mortos Não Dão Autógrafos, o nome do seu primeiro romance, gera um quê de espanto por nos guiar até uma ideia tão real (e) que nos passa tão despercebida. - Mas é um facto. Não dão mesmo. – A história é escrita de uma forma cronológica, trazendo lembranças do antigamente e do medo que a censura causou na sociedade. Quando questiono como foi viver nesta época, o autor refere que foi preso, sim, “por andar a jogar à bola na rua. Ridículo, não acha?”. E realmente acho.

“Passou grande parte da sua vida a dar voz e corpo a diversas personagens. Podemos esperar por mais palavras no papel – mais livros?”, perguntei eu, aqui, com este ar de leitora que vocês podem imaginar aí desse lado. “Esperemos que sim” é o que me responde Francisco Nicholson. Não é uma garantia, mas já deixa aquela dose certa de esperança! 

Podem encontrar o livro aqui e uma outra recente entrevista do autor aqui


Daniela Carreira Peralta

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10 comentários

  1. Adoro a forma como escreves. tão singular, tão tua!

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  2. Por esta, não esperava! Adorei! :) Um livro que irei certamente ler! Já tinha curiosidade,mas agora ganhei ainda mais.

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  3. Já acrescentei este livro à lista dos que quero comprar :)

    r: Muito obrigada! É verdade, por mais simples que sejam vão acompanhar-nos sempre.
    Volta quando quiseres, serás sempre bem-vinda ao meu blog*

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  4. Holaaaaa¡¡ genial blog¡¡ me quedo contigo acompañando tus reseñas y palabras¡¡ saludos y felices lecturas¡¡¡

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  5. Gosto de acompanhar blogs portugueses, para conhecer coisas novas :3 , nunca tinha ouvido falar do autor e achei muito interessante :*
    www.moniitorando.com

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    1. Que bom, Mônica! Volta sempre que quiseres, pois serás bem recebida. Beijinhos

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