Já leram sobre esta história, não?

21.7.15

Imagem Pinterest.

Muito se escreveu nos últimos dias sobre este episódio e confesso que não perdi tempo a ler muitas das opiniões. Principalmente, porque a história me chateou logo de início. Recapitulemos… Do lado de quem conta a história, existem dois pais e uma bebé com meses de idade. Como é normal em qualquer família, chegou a altura de inscrever a filha num colégio. Segundo o pai, Clife, tudo correu muito bem até a directora do colégio em questão saber que a profissão deste pai era, imaginem só a ousadia e perversidade do homem(!), tatuador.

Como qualquer padeiro que come pão e como qualquer pintor que pinta as paredes da própria casa quando assim é necessário, este jovem tem algumas partes do corpo tatuadas. E para aquela directora – cuja profissão passa pela gestão de um acompanhamento à educação de provavelmente centenas de crianças -, isso é indecente e chega a ser motivo para rejeitar uma criança no colégio que administra.

Talvez eu nem me chegasse a pronunciar se me contassem que fizeram uma tatuagem e que alguém mais antigo da vossa família tivesse torcido o nariz à nova aquisição. Tal como não perco sequer tempo a defender o meu ponto de vista quando os meus avós barafustam por causa de um ou outro corpo tatuado se exibe na televisão. Não o faço porque, apesar de achar que não é a idade que temos que define quais as ideologias que temos (porque o mundo nunca pára de evoluir e devia ser, por vezes, obrigatório acompanhá-lo), respeito quem não o faz. E se até isto vos deixar inquietos, caiam no exagero de imaginar a pessoa mais conservadora e tradicional que conhecem com umas cuequitas bem decotadas e com umas leggings de alguma cor fluorescente. Embora ligeiramente admissível, seria pouco provável. Mas este caso é diferente.

É diferente precisamente porque o mundo não pára. Já lá vai o tempo em que os judeus iam para Auschwitz ou que os mais comunicativos iam fazer uma viagem com a PIDE. É diferente porque aquela directora, naquele colégio, ajuda a educar crianças que serão os adultos e os supostos profissionais de amanhã. Os que mudarão de passeio quando virem um pedinte na rua e os que recusarão trabalhar com o mais exemplar dos profissionais só por ele ter uma tatuagem. Ou um piercing. Ou dois pais. Ou duas mães. Ou se for homossexual. Ou se tiver uma tia que nasceu em Portugal mas que tem antepassados de outro país qualquer.

O preconceito provavelmente nunca acabará no mundo. Mas daí a começar num colégio, amigos…. 


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