O dia em que deixei de andar de táxi

20.1.16

Imagem Pinterest.

Sou aquela pessoa que, quando está na rua e é engolida pela azáfama, se desenrasca de qualquer forma. Posso passar por pessoas conhecidas e não as ver, passar por alguém que vai sem calças vestidas e não reparar, faço a minha vida como planeei e pronto. Não adianta estar aqui com rodeios: sou distraída. Quanto maior for a confusão, mais desligada e impaciente eu fico. Levem-me para uma daquelas lojas de roupa com música alta e em dia de estreia de saldos e vão perceber do que falo. Não vale a pena. Eu barafusto e isso serve de nada para a sociedade. Mas eu sou assim.

Devem ter reparado que dei férias ao blog. Na verdade, fui eu que voei daqui e fui até à Alemanha. Foi giro, sim-sim! Depois mostro-vos fotos e conto-vos algumas peripécias. Mas hoje escrevo-vos é sobre o meu dia de regresso a Lisboa.

E não. Não vou falar do dia chuvoso que se adivinhou de seguida porque I’ve no idea do que aconteceu durante o dia. Distraída é para ser distraída. Falo-vos da minha viagem desde o aeroporto até casa. Tentem imaginar o meu ar de simpática (calem-se!, isso sou sempre) depois de ter um atraso de 3 horas no voo de regresso e de esperar perto de uma hora pela bagagem. Verdade é que a procura de táxi não durou muito tempo. Com o exagero deles à porta do aeroporto, diga-se, era difícil demorar muito a procurar um. Isso mesmo: percorrer, com as malas, o labirinto qb parvinho que surgiu entretanto lá no passeio e eis-me à frente do primeiro táxi da fila. O senhor tinha mau aspecto. Lembro-me de pensar na desculpa de que coitado, trabalha a estas horas, deve dormir de dia e esta vida é sempre a correr. Parva. Inocente.

Malas na bagageira, Dan sentada e morada relembrada. Lá seguimos viagem. Disse-me que estava frio, claro. Qualquer taxista que se preze tem de falar da meteorologia ou do futebol. Mas nem disso eu me queixei – e respondi, simpaticamente, a ignorar o sono e o cansaço que já trazia provavelmente à vista de qualquer olhar mais atento. Conto-vos agora que, a meio da viagem, me questionei sobre a ausência do aparelho que costuma marcar qual o valor (bandeirada) a pagar. (Quem me conhece já sabe o que vou escrever a seguir). Mas foi isto mesmo: eu pensei que realmente o táxi era moderno e que o país estava cada vez mais tecnológico.

Verdade é que, no dia em que voei para a Alemanha, paguei 7€ para fazer aquela mesma viagem de 5 ou 6 quilómetros que, naquela noite, com o senhor de mau aspecto, me custou 17€. Quando avistei, da janela do lado traseiro direito daquele Mercedes preto o meu prédio lisboeta, ainda não sabia quanto iria pagar. Afinal de contas, aquele táxi era tão moderno que não tinha aparelho.

Uma e tal da manhã, primeira semana de Janeiro e eu a ser enganada. A rua onde vivo estava deserta. Só eu e o taxista. “Isto é uma carrinha, menina. Devia ter escolhido outro táxi”, disse-me o senhor de quem não sei o nome – mas, diga-se, inventei-lhe vários depois disso.  “Então, mas são 5 lugares na mesma. E eu sou obrigada a seguir o primeiro carro da fila, independentemente de simpatizar consigo ou não”. De nada me valeu. A resposta ainda foi “então quer arredondar para 18?”. A minha cara, amigos. É essa que devem imaginar nesta altura do texto. "Quero arredondar nada".

“Quero uma factura, por favor”, disse-lhe eu a pensar que estava a fazer uma grande justiça ao mundo. Sabem o que vi, depois, quando já estava em casa? Que tenho um recibo em branco com 17,80€ de conta que não me explicam onde os gastei. Mais tarde lembrei-me: sim, Daniela, o mundo até está mesmo mais tecnológico e moderno… Chama-se Uber. E tu não pensaste nisso porque gostas de ser portuguesa à maneira. Toma. 

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2 comentários

  1. Eu já não ando de táxi há imenso tempo. Só em desespero de causa mesmo. Ainda que compreenda que é um problema a Uber não pagar impostos e afins, os taxistas não facilitam nada a coisa. Qualquer percurso é um balúrdio e completamente injustificável. O gasóleo está mais barato que eu sei lá, os impostos também já não sobem há algum tempo, mas eles fazem questão de aumentar aquela porcaria. Mal nos sentamos pagamos 2€ e tal só porque sim, se for no aeroporto julgo que esse valor base é maior, vá-se lá compreender porquê (deve ser porque andamos todos ricos) - provavelmente foi por isso que pagaste mais -, e a cada 10 segundos lá vai aumentando aquilo. Ainda não utilizei a Uber, mas não estou longe disso.

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  2. Houve um tempo que tive de andar imensas vezes de táxi em Lisboa e quase todos os taxistas me tentavam enganar. É uma classe pela qual não tenho respeito!

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