Review: A Elizabeth Desapareceu

3.3.16

Fotografia: Daniela Carreira Peralta. 

AUTOR: Emma Healey
EDITORA: Marcador
ISBN: 978-989-754-174-2
PÁGINAS: 296
ONDE COMPRAR: Aqui.
A DAN AVALIA: 4 de 5

A Elizabeth Desapareceu… e assim se estreou a parceria do blog com a editora Marcador. O que me cativou, digo-vos já, foi o facto desta história ser do mais simples que há. É feita de pessoas, de memórias e de pouco mais, mas torna-se tão real e tão intemporal que o mais difícil é largar as palavras destas páginas.

Toda a história é um mistério. Chamar-lhe-ia um mistério muito light – talvez também por isso este primeiro romance da autora Emma Healey tenha feito tanto sucesso junto dos leitores e dos críticos. No fundo, o único problema por resolver aqui é que Maud, a personagem principal de quem já vos escrevo, não sabe da amiga Elizabeth. Onde estará ela? Será que foi raptada? Fizeram-lhe mal? Será o argumento de Maud credível o suficiente para que este se torne num caso de investigação?

Maud tem perto de 80 anos e sofre de Alzheimer. É viúva, mãe de dois filhos e avó de uma neta muito tecnológica que está sempre “com estes aparelhos cheios de luzes e botões” nas mãos. Quando Maud era jovem, a irmã desapareceu e nunca chegou a aparecer, criando, assim, a dúvida – estaria Sukey viva ou morta? Mas é Elizabeth quem está desaparecida nesta história. Ou serão as duas?

É preciso estar-se atento à história enquanto leitor. A memória de Maud saltita entre o passado, o presente e a fantasia com uma velocidade tão grande que, para muitos leitores, pode parecer apenas uma confusão de cenários. Eu achei genial! Genial no sentido em que nos sentimos definitivamente dentro da mente de alguém que se sente confuso. O que não será, para lá de todo o resto, a mente de alguém com Alzheimer? Não será isso mesmo... Uma confusão?

“A Elizabeth Desapareceu” é o conteúdo mais repetido nos papelinhos rasgados que Maud vai espalhando pela casa, pelos bolsos e pela mala. Tem noção da sua condição e tenta criar auxiliares de memória para que determinadas coisas não lhe escapem. O facto da amiga Elizabeth estar aparentemente desaparecida é um deles. Maud pode até esquecer-se de onde mora ou do que a leva a cavar o jardim a largas horas da noite, mas há uma coisa que não esquece... É que Elizabeth desapareceu.

Não vos vou contar mais nada. Deixem-se de coisas e visitem o site da Marcador! A Maud precisa de leitores que acreditem que alguém muito próximo dela lhe desapareceu! Este é um caso de polícia, acreditem nela.

PS. – Tenho de vos pedir desculpa. Andei tanto tempo com este livro atrás de mim. Depois, outro tanto tempo com ele em cima da mesa-de-cabeceira. E o artigo sobre ele demorou e demorou para sair. Culpem a época de avaliações do mestrado. Culpem as minhas semanas de férias na Alemanha. Culpem-me a mim também, que tive de o recomeçar quase na íntegra para lhe apanhar “o fio à meada”! Mas eis que cá está a opinião. E tanto que eu gostei deste livro.


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