Deviam ter-me explicado algumas regras do jogo primeiro

1.7.16



Fui ver o jogo para o meio de muita gente. Saltei quando houve golo. Ouvi mil comentários vindos de todas as direcções. Fiz piada mental com o nome Kaputska. Tremi nas grandes penalidades. E tudo isto são factos que até a mim me surpreendem. Mas aconteceu e quero repetir.
Primeira parte do Portugal – Polónia, ecrã gigante na Alameda D. Afonso Henriques e muita – mas mesmo muita – gente a torcer pela selecção. “Estás a pensar no texto que vais escrever e não estás a ver o jogo”, dizia-me o amigo que estava comigo ainda a poucos minutos do jogo começar. Estávamos em pé. À minha frente, um moço de pescoço comprido que era claramente mais alto do que eu. De quando em vez, por entre os espacinhos que me davam oportunidade de espreitar para o ecrã, aparecia outro adepto. Distraia-me quando este segundo adepto se mexia e me tapava a visão. Aquele boné azul com um rinoceronte bordado, acreditem, nunca mais me vai sair da memória. Do meu lado esquerdo, um grupo de rapazes que faziam uma festa cada vez que os jogadores polacos falhavam um lance. Ali, naqueles minutos de jogo, até os estrangeiros são portugueses. 

Houve um golo ao minuto 33. Renato Sanches acertou na baliza e a Alameda encheu-se de pulos, abraços e gritos. Admitamos: para uma miúda que nunca tinha assistido a nada do género, foi confuso. E confuso porque, naqueles segundos, vi tudo passar-me literalmente por cima. Ora os adeptos que saltavam, ora a cerveja que o vizinho do lado entornava, ora o cachecol do adepto da frente que me passou à frente do rosto com uma rapidez absurda. Admitamos outra vez: foi tão giro. 

Segunda parte, já sentada na relva. Obviamente que melhor instalada e com uma visibilidade magnífica. Já devem ter percebido que eu tenho alguma crença nas segundas partes dos jogos da selecção porque sei que entra o Quaresma. Eu… E provavelmente todos quantos gostam de ver a equipa ganhar. E restou-nos esperar. E esperar pela primeira parte do prolongamento. E esperar pela segunda parte do prolongamento… e depois pelos penáltis. 

Grandes penalidades. Juro-vos que sabia que haveria um oráculo no ecrã com 5 bolinhas que seriam preenchidas consoante os golos que cada equipa marcasse. Na Alameda, o pessoal já nem se sentava. Tudo em pé, de mãos dadas ou a esfregar as mãos com um nervoso que já nem era assim tão miudinho. Quando o Quaresma marcou a última grande penalidade, amigos, a plateia virou a loucura total. Saltei quando o golo surgiu. Saltei eu e saltaram todos. Abraçaram-se, beijaram-se, gritaram, descontrolaram-se no bom sentido. E por segundos, no meio daquela confusão, eu acalmei e pensei “então, mas… se isto tem de ir até aos 5, ainda podemos perder”. O meu amigo, ao meu lado, levou o abraço de vitória mais murcho de sempre. É que eu estava nervosa, pessoas. Afinal de contas, a informação de que não era preciso ir até ao final das 5 grandes penalidades se houvesse uma equipa a destacar-se, não estava clara para mim. Quem me manda não perceber nada de futebol e ir para o meio dos entendidos?

Trust me: quarta-feira já levo para a plateia mais uma mão-cheia de conhecimentos futebolísticos.

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2 comentários

  1. Tenho gostado bastante destas crónicas. Não gosto nada de futebol, nunca vejo jogos seja de que campeonato for mas, à umas semanas atrás vi o "Invictus" e fiquei a pensar que se calhar podia dar uma oportunidade ao europeu. Tenho acompanhado os jogos e, surpresa das surpresas, até é emocionante. Também tenho aprendido umas quantas coisas, visto que não sabia nada. Agora é esperar por quarta-feira =)

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  2. Gostei muito do texto, escreves de uma maneira que nos faz ler tudo até ao fim. Muito bom! Beijinho,
    Último post: http://maffaldacunha.blogspot.pt/2016/07/espero-por-voces.html

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